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Não sei como começar, não sei ao menos se deveria começar. Ora Doutor, eu gostaria de lhe dizer tantas coisas, no entanto, tenho receio de destruir tudo aquilo que o senhor construiu com poesia, pois admiro mais a poesia do que qualquer outra coisa no mundo... Acho que sofro de um tipo de dicsifania desmereratizada. A medicina não conhece? Eu sei. Foi um nome que eu inventei para essas coisas que ficam presas nos dentes depois que a gente mastiga e engole algo, principalmente as que ficam presas nos dentes de trás... A gente não as vê, mas sabe que elas estão lá, e isso incomoda um bocado. Dá vontade de meter a mão na boca e arrancar aquilo com o dedo de uma vez, mas sempre tem alguém olhando, então não dá. Ora Doutor, se o senhor vê poesia em coisas mortas, porque não veria em coisas presas nos dentes? Será que o senhor, com sua sapiência incomparável, poderia inventar uma maneira de digerirmos as coisas de uma vez? É, sem deixar essas coisas presas em nosso corpo todo. Essas coisas, o senhor sabe...Não quero falar das outras. A vida seria bem mais fácil Doutor! Tenho certeza que o senhor ficaria milionário!

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