Nada, ou alguma coisa que não sabia o que.

Ela não conseguiu ficar ali, ouvindo todas aquelas dissertações sobre recursos e processos. Não cabia em si, não cabia ali. Precisava sentar em algum lugar isolado para observar o nada e pensar em alguma coisa, e foi. Sentou-se, absorveu-se. Começou a prestar atenção em toda beleza de vida que acontecia a seu redor, o passarinho e seu andar cauteloso, a borboleta e seu vôo certamente incerto, o admirável passeio das formigas, passeio laboral. Seus olhos permaneciam atônitos e seu corpo paralizado. Olhava e esperava alguma coisa que não sabia o que. Começou a procurar palavras para formar algum poema ou narrativa que descrevesse o que estava acontecendo naquele momento, algo que pudesse traduzir o feixe de luz que lhe atravessava o corpo e se projetava além, deixando uma sombra na mesa. Procurava, mas não encontrava. Olhava e esperava alguma coisa que não sabia o que. Não era a primeira vez que isso acontecia depois que ela lia algum capítulo daquele livro, sabe-se lá que espécie de magia possuía o livro, que fazia as pessoas ficarem assim. Será que a magia só funcionava com ela? Talvez fosse a luz e os olhos doces, talvez o eco, talvez o vento, ou por certo a ausência de mar. Ela sentia uma necessidade quase incontrolável de olhar a grama, o nada, qualquer coisa que se assemelhasse a um horizonte distante, a uma miragem. Ficou ali, hipnotizada, absorta pelo nada, em meio a tudo.

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