Acho que ela está precisando de um pouco de canção, uma xícara de chocolate quente, um pincel e várias tintas coloridas, pra pintar o céu. Acho que ela está precisando de um pouco de sabão pra brincar de escorregar no chão enquanto lava a casa, rir enquanto tira o ar dos pulmões e assopra com cuidado a espuma das mãos, fazendo bolas de sabão flutuantes para virarem estrelas na imensidão. Acho que ela está precisando correr muito embaixo desse céu colorido, ir pra bem longe, atravessar montanhas, vales, rios, até ficar ofegante, até deixar de ficar ofegante. Talvez exista uma floresta inabitada, um reino encantado que acolha seu coração, que atenda a sua necessidade romântica de ver beleza no mundo, talvez seja realmente belo, talvez ela encontre frutos doces, mel e borboletas com asas coloridas. Mas se ela correr ela não vai conseguir sequer notar, então talvez precise voltar reconhecendo o caminho, para saber pra onde se foi, aonde se chegou, o que se deixou. E talvez aquele pássaro volte a cantar a canção que a fazia permanecer e querer ouvir a melodia pra sempre, mas no momento não se ouve mais, e ela tenta entoar a canção pra ver se o pássaro a acompanha e volta a cantar aquele sinfonia maravilhosa, mas parece que ele nem a ouve mais, talvez não exista mais, talvez tenha sido fruto da imaginação dela, talvez ela tenha cantado sozinha esse tempo todo. E talvez agora seja hora só de ir, de pintar um caminho e ir, correndo mesmo, pela caminho que a vida mostrar, até se perder de vez, até voltar a se encontrar.

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