FOGO



E havia labaredas flamejantes pelo ar...
Como em um grande espetáculo circense, eles brincavam no meio do picadeiro... Riam como palhaços enquanto facas sutilmente afiadas eram lançadas pelo ar, eram serrados ao meio pelo mágico ilusionista e equilibravam-se em dois no monociclo... Até que resolveram brincar com o fogo, fazer pirofagia com seus lábios laboriosos... Engolir, cuspir fogo... E assim embarcaram cegamente na corda banda, andando depressa, embalados em um balanço que parecia não ter fim, até que um ou o outro caísse... Mas aconteceu deles caírem um no outro... E do embalo veio a dança... Samba, tango, bolero... Eu quero... A música parou de tocar, as cortinas se fecharam, as luzes se apagaram e todos os espectadores foram embora, mas eles continuaram ali, dançando... Rindo e dançando... E isso porque tinham inventado a sua própria música... A reverberação das labaredas de fogo, a música de um que tocava o outro... E eles continuaram ali, rodopiando... Naquele espaço de tempo, naquele tempo, preenchido pelo espaço de duas almas que se comunicaram pelo brilho no olhar... Dando vazão a matéria atômica resultante de explosão peculiar, que nunca há de se acabar.

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