Isso é uma ficção
17:20, 17 graus celsius, mês 06, dia 27, 2017, Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil.
dentro de mim, fora de mim, dentro de mim, fora de mim...de dentro, de dentro, de dentro
O vaso de girassóis caindo das minhas mãos em câmera lenta, a terra se espalhando pelo asfalto cinza, o poema se desprendendo do barbante e voando para longeeeee (Em que longínquo céu ele se encontra?) q-u-a-s-e-u-m-a c-e-n-a d-e c-i-n-e-m-a...
V.
O.
L.
T.
A.
a.
a..
a...
a
a.
Abro os olhos e uma multidão ao redor de mim, todos me observando assustados. Eu me sinto frágil, eu me sinto exposta a milhões de olhos - estou nua - eu rasguei a minha roupa e você virou as costas.
- Moça, você está bem? Nós já chamamos a ambulância.
- Não precisa, eu já estou em pé, eu aprendi a levantar depressa, foi só uma queda de pressão causada por... volta e meia isso acontece, eu já estou acostumada, não se preocupe, eu só preciso de alguma coisa quente...Um cappuccino cairia bem!
- Eu posso ao menos te acompanhar até em casa, onde você mora?
- Eu não sei. Mas eu gostaria de morar dentro de uma livraria....
...
É que lá sempre vai ter algum coisa quente.
- A única forma de se morar dentro de uma livraria é escrevendo um livro.
- Tudo bem, eu começo.
- Mas você está invertendo a ordem das coisas, está começando pelo final.
- Não, você está enganado! É o começo. É sempre o começo. Não percebe? De alguma forma é sempre o começo.
O sol de inverno atravessando a calçada fria me faz ter vontade de alguma coisa quente, um cappuccino cairia bem. - Eu queria te dizer que há sóis de verão escondidos atrás desse inverno e... Eu disse e você foi embora antes de sequer virarmos a esquina, antes que eu pudesse te entregar o vaso de girassóis amarelos e o poema pendurado no barbante. Eu quis correr atrás de você e gritar algo sonoro que atraísse os seus ouvidos. - Hey, volta! Mas os seus ouvidos estão tão acostumados a sinfonias sublimes que seria difícil escutar a minha canção em ré menor. - Ouça, é uma canção bonita! Há sóis de verão escondidos atrás desse inverno, eu juro! Volta! Ameaço dois ou três passos, uma mão estendida. - Heeeeeey! As flores, o poema pendurado no barbante, eu te prometo qualquer coisa quente, há sóis, volta! Meia volta. Siga em frente, cappuccino, você só precisa de um pouco de cafeína para se manter em pé, não desfaleça, siga em frente, avante, carros, cores, buzinas, tudo girando, pessoas, pés, pássaros, passos, caminhe, há um caminho, cappuccino, logo ali, qualquer coisa quente, não desfaleça!!!
dentro de mim, fora de mim, dentro de mim, fora de mim...de dentro, de dentro, de dentro
O vaso de girassóis caindo das minhas mãos em câmera lenta, a terra se espalhando pelo asfalto cinza, o poema se desprendendo do barbante e voando para longeeeee (Em que longínquo céu ele se encontra?) q-u-a-s-e-u-m-a c-e-n-a d-e c-i-n-e-m-a...
V.
O.
L.
T.
A.
a.
a..
a...
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a.
Abro os olhos e uma multidão ao redor de mim, todos me observando assustados. Eu me sinto frágil, eu me sinto exposta a milhões de olhos - estou nua - eu rasguei a minha roupa e você virou as costas.
- Moça, você está bem? Nós já chamamos a ambulância.
- Não precisa, eu já estou em pé, eu aprendi a levantar depressa, foi só uma queda de pressão causada por... volta e meia isso acontece, eu já estou acostumada, não se preocupe, eu só preciso de alguma coisa quente...Um cappuccino cairia bem!
- Eu posso ao menos te acompanhar até em casa, onde você mora?
- Eu não sei. Mas eu gostaria de morar dentro de uma livraria....
...
É que lá sempre vai ter algum coisa quente.
- A única forma de se morar dentro de uma livraria é escrevendo um livro.
- Tudo bem, eu começo.
- Mas você está invertendo a ordem das coisas, está começando pelo final.
- Não, você está enganado! É o começo. É sempre o começo. Não percebe? De alguma forma é sempre o começo.
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