Sobre passagens

Sou o tempo que passa
Por entre fios e farpas
De um passado emaranhado
Sou o silêncio que grita
Estremecendo as paredes
De meu próprio ser
(fazendo um eco ensurdecedor dentro de mim)
Sou o suor que escorre
Pelos poros chorosos
De lamentos sem fim
Desse ciclo que se encerra, enfim.
Quero novas linhas
De fios de seda
Coloridos
Um novo canto
Surgindo dos recantos
Do violão de Baden Powell
Novos líquidos
Suaves e límpidos
Como a chuva que refresca o sol
O tempo passa, o silêncio grita, o suor escorre
O resto se escolhe
E eu escolho ir além,
Saltar entre os abismos de minhas próprias pontes
Percorrer, sem medo, esse caminho sem fim
Ir além de mim.

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