Quando o mar invade a praia
Fitam-me com ares de desejo e medo
Flutuam em mim ondas desse azul profundo
Como o mar a responder ao vento
Que deseja se entregar a praia
Mas tão logo é sugado para dentro
Avisa o azul que mergulhar é abismo
No qual me jogaria sem pensamento
Não fosse você o dono desse azul-mar
No qual não posso navegar sem tormento
Mas se a lua enchesse e a maré subisse
Contrariando seu dever de contento
Perdoados estariam a praia e o mar
Por esse encontro magnético no tempo
A culpa seria da lua e de Iemanjá.
(pois a natureza se justifica nela mesma)
Assim deixo ir, deixo ficar
O azul do mar, e o momento.
O azul do mar, e o momento.

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